Passando meus dedos pelas contas do terço, me pego analisando situações constrangedoras do passado que me afastaram da igreja. Momentos onde fui humilhado e colocado como piada por quem me fez acreditar em um ambiente seguro. Em um podcast, escutei de outras pessoas que também se afastaram por ter sofrido ataques e humilhações camuflados de piada. Isso me fez correr de conflitos, da mesma forma que corri da igreja em busca de paz.
Uma vez fui questionado pela líder do grupo jovem referente a minha sexualidade. Na época nunca tinha parado sequer para me avaliar sobre isso, eu era muito novo. Ela abordou um assunto pessoal nunca analisado por mim, me deixando constrangido. No decorrer do seu monólogo, a mesma me disse para não frequentar nem andar com o grupo, porque seria feio para ela e para os outros serem vistos comigo. Já em um podcast, descobri uma moça que teve seu rosto riscado das fotos colocadas em um momento de nostalgia da igreja, para apontar aqueles que se desviaram. Eu consegui voltar a missa, ela não.
Ajoelhado diante de Jesus me pego dizendo que estava com saudade. Olhando diretamente para ele, percebi que eu estava feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por finalmente ter certeza onde é o meu lugar e triste por ter demorado tanto para voltar. Por isso, quando estou na adoração ou comungando na missa, falo dessa saudade. Esse sentimento forte acumulado em um coração remendado por pregos e costuras com fios de aço. Hoje eu entendo que a Igreja é a casa do Senhor e não de quem acha ser proprietário, mas, na verdade, é apenas mais um servo igual a mim que pisa no mesmo chão. Desta forma entendi o que tanto Juliette cantava no gramado do BBB. “Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa, da bondade da pessoa ruim, Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim.”


